Estudo Perto Digital · 2026
O que aprendemos com 10 milhões de usuários
O maior estudo de acessibilidade digital do Brasil.
Dados reais de uso de recursos de acessibilidade em centenas de sites brasileiros, ao longo de mais de três anos.
Em uma página
Seis coisas que 10 milhões de interações ensinam
- Quando a acessibilidade é oferecida, ela é usada. mais de 10 milhões de interações com recursos de acessibilidade, crescendo mais de 60% em doze meses e mais que dobrando em 2026.
- Acessibilidade no Brasil é pelo celular. 7 em cada 10 interações acontecem em tela pequena, por toque. Em saúde, indústria e varejo passa de 8 em cada 10.
- O primeiro ajuste é sempre ampliar. Zoom no conteúdo é o recurso mais usado da base, com 12% de todas as ativações. Fonte, contraste e zoom não são detalhe: são o mínimo, e o que a maioria usa.
- Libras não é nicho. É o segundo recurso mais usado e o número um em mais organizações do que qualquer outro. Pessoas surdas vão direto ao recurso: ele é ativado mais de 15 vezes mais do que o perfil de deficiência auditiva.
- Neurodivergência é 1 em cada 4. TDAH, dislexia e epilepsia respondem por 25% dos perfis ativados. Acessibilidade vai muito além da deficiência visual.
- Quem ativa, não desliga. Mais de 9 em cada 10 organizações que começaram há dois anos seguem usando — e a maioria, todos os meses. Acessibilidade não é campanha, é infraestrutura.
Por que este estudo existe
Tecnologia para 14,4 milhões de pessoas? A conta é maior.
A pergunta que este estudo responde não é "quantas pessoas precisam". Isso o Censo já diz. A pergunta é outra: o que essas pessoas fazem quando a acessibilidade está ao alcance? Que recurso ativam primeiro, em que aparelho, em que tipo de site, e se continuam usando depois da novidade.
Durante mais de três anos, as tecnologias de acessibilidade da Perto registraram cada vez que alguém precisou de um recurso e encontrou. São esses registros — mais de 10 milhões deles — que estão nas próximas páginas.
A barreira não está na pessoa. Está na interface.
Os três números acima são dados de mercado (IBGE, Cetic.br e base comercial da Perto). Tudo o que vem a seguir é dado de uso real, medido na base da Perto.
Como medimos
Um laboratório de acessibilidade em escala real
O que é uma interação
As ferramentas ficam no site de cada organização: ajustes de leitura e de cor, tradução para Libras, leitura em voz alta, comando de voz, navegação por rastreamento facial. Cada vez que alguém usa uma delas, registramos uma interação. Não medimos visitas nem pessoas: medimos necessidades atendidas. A mesma pessoa pode gerar várias interações numa visita — e é exatamente isso que mostra o que ela precisa.
Período coberto: junho de 2023 a agosto de 2026. Os "últimos doze meses" vão de setembro de 2025 a agosto de 2026.
Parte 1 · O tamanho do uso
Dez milhões de vezes em que alguém precisou de um recurso de acessibilidade para usar um site, e encontrou.
Crescimento
Quando a acessibilidade é oferecida, ela é usada
O crescimento não é uma curva suave: acontece em degraus, cada vez que uma organização grande coloca a acessibilidade no ar e o público descobre. O mês recorde, agosto de 2026, passou de 700 mil interações — e os quatro meses de maio a agosto de 2026 ficaram, cada um, acima de 500 mil.
Em texto: a série mensal começa em poucos milhares em 2023, passa de 200 mil ao mês durante 2024, de 300 mil em 2025 e chega a mais de 700 mil em agosto de 2026.
Celular
Acessibilidade no Brasil acontece na palma da mão
interações de acessibilidade acontecem no celular, em tela pequena, por toque. Quem precisa de acessibilidade está no mesmo aparelho que todo mundo — e espera que funcione ali.
Mas o tipo de site define a plataforma. Em sites de consumo, saúde e produto, o celular passa de 8 em cada 10. Em portais de serviço ao cidadão, tribunais e plataformas de estudo, metade do uso ainda é no computador — e por isso navegação por teclado e por rastreamento facial pesam mais nesses setores.
Lição: comece pelo celular. Um recurso de acessibilidade que só funciona bem no computador atende a minoria.
Parte 2 · O que as pessoas pedem
Mais de 40 recursos medidos. Quatro necessidades explicam quase tudo.
Ver melhor. Entender em Libras. Ler e se concentrar. Navegar sem mãos e sem mouse.
Mais de 6 milhões de ativações de recursos
O que as pessoas mais usam
Zoom no conteúdo está em praticamente todas as organizações e é o número um na maioria delas. Libras é o segundo em volume e o que lidera em mais organizações. Texto, cor, navegação, conteúdo e som: os cinco grupos de recursos aparecem no topo. Ninguém precisa de uma coisa só.
Por grupo: ajustes de texto respondem por 29% das ativações; conteúdo (Libras, texto alternativo, guia e máscara de leitura) por 25%; navegação por 23%; ajustes de cor por 17%; som por 7%.
Necessidade 1 · Ver melhor
O primeiro ajuste é sempre ampliar
de todas as ativações de recursos são zoom no conteúdo. É a necessidade mais universal da base: aparece em praticamente todas as organizações e é o recurso número um na maioria delas.
das ativações são ajustes de texto e de cor somados: formatar fontes, tamanho da letra, cor do texto e do fundo, alta saturação, contraste.
O que isso diz para quem constrói
- Tamanho de fonte, contraste e zoom não são detalhe de design. São o mínimo — e são o que a maioria das pessoas usa primeiro.
- Baixa visão é maior que cegueira. No perfil típico de uma organização, baixa visão é o perfil mais ativado, à frente de cego. Lupa, contraste e saturação atendem mais gente do que leitor de tela sozinho.
- Daltonismo é frequente e quase invisível. É o terceiro perfil mais ativado. Nunca transmita informação só por cor.
Necessidade 2 · Entender em Libras
Libras não é nicho. É o recurso que lidera em mais organizações.
Esse último número é o mais importante. O perfil de deficiência auditiva é o menos ativado dos oito — e, ainda assim, Libras é o segundo recurso mais usado. A explicação é simples: pessoas surdas não procuram um "perfil". Procuram Libras. Vão direto ao recurso, no meio da jornada, na hora em que precisam entender uma página.
Libras é o recurso número um em turismo e venda de ingressos, em serviços financeiros, no Sistema S e em tecnologia. Comprar uma passagem, pagar uma conta, se matricular num curso: são jornadas em que não entender uma frase significa desistir.
Lição: Libras nativa na jornada, não escondida num perfil.
Necessidade 3 · Ler e se concentrar
Neurodivergência é 1 em cada 4
dos perfis ativados são TDAH, dislexia e epilepsia. Em plataformas de estudo e cursos, TDAH é o perfil número um.
ativações de guia de leitura, máscara de leitura, bloqueio de animações e fonte para dislexia — os recursos de quem precisa de foco.
Dados de mercado estimam que cerca de 5% da população tem transtornos cognitivos ou neurodivergências. Na base, esse grupo responde por um quarto dos perfis ativados. A neurodivergência usa proporcionalmente mais os recursos de acessibilidade — e é a que menos aparece nas discussões sobre o tema.
O que isso diz para quem constrói
- Guia de leitura e máscara de leitura, que destacam a linha que está sendo lida, estão entre os dez recursos mais usados.
- Animação que não para é barreira. Bloquear animações é um recurso de alto uso, não um capricho.
- Fonte adequada e espaçamento ajudam a ler, não só a enxergar.
Necessidade 4 · Navegar sem mãos e sem mouse
Teclado, rosto e voz: mais de 430 mil ativações
Navegação por rastreamento facial — mover o cursor com o rosto, pela câmera — está presente em praticamente todas as organizações da base e é o recurso número um em vários portais de serviço público e de educação, onde o uso é no computador.
A navegação por teclado é a mais usada do grupo e aparece em quase todas as organizações. É também a mais barata de garantir: um site que funciona com Tab e Enter já atende quem não usa mouse — e é o que WCAG, a NBR 17225 e a LBI pedem.
Lição: se o site não funciona sem mouse, ele não funciona para muita gente.
Perfis de acessibilidade
Quem ativa um perfil pronto, e qual
Um perfil pronto liga um conjunto de recursos de uma vez: "cego", "baixa visão", "TDAH". Visual domina, com 70% das ativações; neurodivergência vem logo atrás, com 25%.
Mas o agregado esconde uma coisa: o perfil "cego" lidera no total porque uma única grande instituição de ensino responde por mais de um quarto de todas as ativações de perfil da base. Na organização típica, a ordem é outra: baixa visão primeiro, depois cego, TDAH e daltonismo.
E o perfil de deficiência auditiva, o menos ativado, convive com Libras no segundo lugar entre os recursos. Perfil mede quem se identifica com um rótulo. Recurso mede o que a pessoa precisa. Para desenhar, siga o recurso.
Parte 3 · Onde acontece, e se continua
A acessibilidade não é igual em todo setor. E não é campanha.
Educação, saúde, indústria, turismo, setor público: cada um pede uma coisa. Todos continuam usando depois que começam.
Setores
Onde a acessibilidade acontece
Educação é o maior setor: universidades, sistemas de ensino, plataformas de estudo. Metade do uso no computador, e o calendário acadêmico move a base inteira — dezembro cai, matrícula sobe.
Saúde tem a maior intensidade de uso por organização: jornada pelo celular, baixa visão e TDAH no topo, Libras forte em planos e operadoras.
Indústria e consumo são os sites de produto: quase 9 em cada 10 no celular, baixa visão e daltonismo.
Quem mais cresceu de 2025 para 2026 (janeiro a agosto)
Permanência
Quem ativa, não desliga
O medo de quem decide é conhecido: "instala e ninguém usa". Os dados dizem o contrário. Mais de 9 em cada 10 organizações que colocaram a acessibilidade no ar em 2024 ou 2025 seguem com uso em 2026 — e a maioria delas usa todos os meses desde o primeiro.
E o uso não envelhece. Organizações com dois ou três anos de acessibilidade respondem por 4 em cada 10 interações do último ano: o público descobre o recurso e volta.
Acessibilidade não é campanha. É infraestrutura.
O que os dados pedem da tecnologia
Cinco lições para quem constrói
- Comece pelo celular.7 em cada 10 interações de acessibilidade acontecem em tela pequena, por toque.
- Fonte, contraste e zoom não são detalhe.Quase metade de todas as ativações são ajustes de texto e de cor. É o mínimo, e é o que a maioria usa.
- Libras nativa na jornada, não escondida num perfil.Recurso nº 1 em mais de 60 organizações e mais de 15 vezes mais usado que o perfil auditivo.
- Neurodivergência é 1 em cada 4.Leitura guiada, menos animação e fonte adequada somam mais de 640 mil ativações.
- Navegar sem mãos e sem mouse.Teclado, voz e rastreamento facial estão presentes em praticamente todas as organizações da base.
Por onde começar
Acessibilidade digital é lei. E é o que o público já está usando.
No Brasil, acessibilidade digital é obrigação legal, não recomendação: Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015), artigo 63, com a norma técnica ABNT NBR 17225 e as diretrizes WCAG como referência. Dados de mercado indicam que 98% das empresas ainda desconhecem essa obrigatoriedade.
Seis passos que os dados sustentam
- Teste no celular primeiro. Fonte legível, botões alcançáveis, zoom sem quebrar o layout.
- Garanta contraste e tamanho de texto. O recurso mais usado da base é ampliar. Dê isso de graça, antes de qualquer ferramenta.
- Faça o site funcionar sem mouse. Tab, Enter e foco visível em todo elemento interativo.
- Ofereça Libras onde há decisão. Compra, cadastro, pagamento, matrícula: é nessas páginas que o recurso lidera.
- Dê controle sobre movimento e leitura. Pausar animações, guia de leitura, fonte para dislexia.
- Meça o uso. O que este estudo mostra para o Brasil, a sua organização pode ver para o seu público — e descobrir que ele é maior do que imagina.
Quem faz agora assume a liderança.
Para fechar
Não é só acessibilidade. É experiência digital. É crescimento.
A Perto Digital é um ecossistema completo de acessibilidade digital: Plugin, Libras com inteligência artificial e avatares 3D, assistente de voz, documentos acessíveis, texto em fala, monitoramento e análise de uso. Os dados deste estudo vêm dessas tecnologias, em uso real em centenas de sites brasileiros.
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Dados de uso: base da Perto Digital, junho de 2023 a agosto de 2026. Dados de mercado: IBGE (Censo 2022), Cetic.br e base comercial da Perto Digital.